Entrevista sobre Inteligência Artificial
1. Fábio Fernandes: Em seu livro, você define a cultura digital como sendo a cultura dos filtros, da seleção, das sugestões e dos comentários. Mas até que ponto esse processo de filtragem e de sugestões será efetivamente determinado pelo usuário e não pelo mercado?
Rogério da Costa: Quando me refiro a esse aspecto da cultura digital, simplesmente quero apontar para um fato relevante: o papel da mediação em nossas práticas cotidianas. Claro, sempre houve mediação, pois nossa relação com o mundo se dá através da técnica, da linguagem, dos sentidos etc. Mas hoje estamos sendo forçados a pensar sobre isso de uma forma diferente, pois uma característica básica das interfaces digitais é multiplicar aquilo com o que podemos interagir. Como o ciberespaço nos dá acesso a um volume cada vez maior de informações e pessoas, tornou-se evidente a necessidade de mecanismos que nos ajudassem a encontrar a agulha no palheiro. Esses instrumentos são os filtros, poderosos mediadores sem os quais dificilmente conseguiríamos nos orientar na rede. Os filtros surgem, portanto, para atender a uma necessidade de mediação, sendo que o primeiro exemplo está nos mecanismos de busca, hoje os principais mediadores de nossa relação com o volume excessivo de informações na Internet.
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